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Um chamado à sustentabilidade

Fundada por um dos mais renomados ambientalistas mundiais, o gaúcho José Antônio Lutzenberger, a empresa VIDA, com sede em Porto Alegre, oferece produtos e serviços de desenvolvimento ecológico, apresentando formas de aliar o progresso fabril com a preservação da natureza

 

fabio
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Textos de Fábio Becker

 

O ter. O acúmulo. A disputa. Marcas da acelerada sociedade contemporânea que conduzem o homem, em sua busca insaciável por riquezas, à desconexão com a própria natureza. Numa corrida alucinada por lucro, como um cavalo com antolhos, ignora o que passa ao redor e corre só em linha reta; focado na ideia de eu, ignora a complexidade da qual é parte indivisível. A individualidade, pela qual é moldado, o faz enxergar o mundo de forma dicotômica: vê a si e ao resto como partes separadas e distintas, quando, na verdade, é agente transformador interligado ao meio que habita. Ação e reação: nossas ações interferem diretamente na natureza; e a natureza, por sua vez, afeta cada instante de nossa existência. Preservar o meio ambiente, portanto, significa defender a própria vida. Logo, não haveria nome mais adequado para denominar a empresa focada em produtos e serviços em desenvolvimento ecológico, fundada em Porto Alegre por um dos mais famosos ambientalistas mundiais, o biólogo gaúcho José Antônio Lutzenberger, do que VIDA.

Considerado o primeiro filósofo com verdadeiro espírito americano, Ralph Waldo Emerson foi um dos fundadores da corrente transcendentalista. Buscava, sobretudo, laços de irmandade espiritual entre o homem e o mundo, traduzidos em práticas. “Um homem é um feixe de relações, um nó de raízes, cujas flores e frutos são o mundo. […] No fato que sua vida está entrelaçada com toda a cadeia dos seres orgânicos e inorgânicos consiste o seu poder”. Afirmava ainda que o homem, fiel a egolatria, se enganava ao fragmentar o mundo. Explica que somos parte do ‘eterno UM’. “Todos nós vivemos em sucessão, em divisão. Porém no âmago do homem está a alma da totalidade. […] O sujeito e o objeto são um. Enxergamos o mundo pedaço a pedaço, como o sol a lua, o animal a árvore, mas a totalidade, da qual essas são as partes luminosas, é a alma”.

Opinião semelhante divulgou e propagou Lutzenberger ao longo de toda sua vida. Desde jovem apaixonado pela natureza, em suas obras sempre alertou acerca da desenfreada destruição e desperdício causados pelo homem, defendendo, sobretudo, o reaproveitamento de insumos. “Devemos aprender com a vida que seus sistemas são estáveis e duradouros porque se baseiam na perfeita reciclagem de recursos, e não em seu consumo”, postulava.

Célebre expoente do ambientalismo internacional, trabalhou por mais de 15 anos como executivo de uma indústria química multinacional antes de dedicar-se à reversão do impacto da atividade industrial sobre o meio ambiente. Ciente da possibilidade de um desenvolvimento fabril alinhado à preservação de ecossistemas, aplicou sua experiência profissional e o amor pela natureza na implantação de inúmeros projetos de reeducação ambiental, reutilização de resíduos, paisagismo, entre outros. “O homem precisa reaprender a olhar a natureza. É possível conviver com o progresso e a produção em larga escala sem sacrificar a qualidade de vida”, defendia.

Ativista ambiental ferrenho, formado em agronomia e ciências sociais, passou boa parte da sua vida na casa construída por seu pai, um famoso arquiteto alemão, na Capital gaúcha. Deixou como legado a empresa VIDA e a fundação Gaia, ONG de filosofia holística dedicada a estudos de desenvolvimento sustentável, sediada no Rincão Gaia, localizado próximo ao município de Pantano Grande, no sul do Estado.

 

VIDA, desenvolvimento sustentável

Fundada inicialmente como uma pequena fábrica de reciclagem de resíduos industriais em Bento Gonçalves, no ano de 1979, a VIDA hoje, além da sede, conta com centrais nas cidades de Eldorado do Sul (RS), Belmonte, na Bahia, e Três Barras, em Santa Catarina. Trabalha em diversas frentes em desenvolvimento ambiental como consultoria, execução de serviços, paisagismo, indústria e comércio de produtos. O objetivo é contribuir globalmente para a melhoria e sustentabilidade da qualidade de vida.

Reciclagem de resíduos
Lutzenberg sempre alertou para o esbanjamento de insumos e a necessidade do reaproveitamento enquanto meio de preservação aliado ao desenvolvimento industrial. Hoje, centenas de milhares de hectares de solos produtivos acabam degradados, enquanto empresas desperdiçam matéria orgânica que poderia ser utilizada para fertilizar e enriquecer as áreas devastadas, num sistema simples de reaproveitamento e retroalimentação.

Esse material, que em um ciclo natural deveria retornar ao solo de onde originalmente provém, é tratado como lixo. O reaproveitamento industrial, por sua vez, leva a soluções simples, baratas e, muitas vezes, com retorno econômico. Dentro desta concepção a VIDA promove o gerenciamento adequado daquilo visto como refugo fábrica adentro.

Entre os principais trabalhos de reciclagem de resíduos destacam-se os trabalhos com a CMPC Celulose Riograndense, onde a VIDA é responsável pelos trabalhos de manuseio, transporte e reciclagem de todos os resíduos sólidos gerados no processo industrial, correspondendo a 18 mil toneladas/mês; Rigesa MeadWestvaco, atividades de manuseio com máquinas e caminhão e reciclagem de 3 mil toneladas/mês de resíduos sólidos; e Veracel Celulose, com atividades de manuseio com máquinas e caminhão e reciclagem dos 11 mil metros cúbicos/mês de resíduos sólidos.

Produtos
A empresa trabalha com uma vasta linha de produtos agrícolas e matérias-primas e insumos para indústrias de diversos setores: fertilizantes, corretivos de acidez do solo, fibras, aparas e sucatas, substrato para plantas, entre outros.

Orgânicos e elaborados com matérias primas recicladas, os produtos da VIDA, além de evitarem a degradação ambiental pela retirada indiscriminada de materiais do ambiente natural, contribuem para a prática de uma agricultura mais saudável sem o uso de insumos químicos.

Paisagismo
No paisagismo destaca-se a busca por um diálogo com o ambiente natural pré-existente, promovendo um trabalho que propicie o ressurgimento da flora nativa e a preservação da fauna.

Em empreendimentos de base florestal dá-se atenção à redução de impacto e à sustentabilidade através da integração dos plantios na paisagem, diversificação de espécies e conservação da biodiversidade.

Dentre os trabalhos de paisagismo destaca-se a execução do Parque da Guarita em Torres/RS, atualmente um cartão postal do Rio Grande do Sul; e a sede rural da Fundação Gaia – o Rincão Gaia, uma propriedade rural demonstrativa e experimental em agricultura sustentável com cerca de 30 hectares.

Educação Ambiental
Preocupada em promover a participação da iniciativa privada em comunidades onde ela está inserida, desenvolvendo a cidadania ambiental por meio de orientações e projetos de desenvolvimento sustentável, a VIDA busca o despertar da população para as causas ambientais e a melhoria da qualidade de vida. Planos de educação ambiental são desenvolvidos em empresas e comunidades com atividades como elaboração de trilhas temáticas para divulgação dos afazeres da instituição e/ou empresa e de cuidados ambientais básicos; trabalhos de aproximação com comunidades afetadas por processos industriais; organização de fóruns e debates dentro da temática ambiental; entre outros.

 

O casarão Lutzenberg, uma história de gerações

Enquanto a Arquitetura é a arte ou técnica pela qual o homem projeta e edifica o ambiente que habita, a Ecologia é a ciência que se refere às interações entre os organismos (entre eles o humano) e o meio ambiente. É provável que poucos contextos simbolizem de forma tão representativa essa relação simbiótica entre o indivíduo que transforma o meio e o ambiente que influencia o homem quanto as trajetórias de Joseph Franz (pai, arquiteto) e José Antônio Lutzenberger (filho, ecologista), sobretudo quando observadas a partir de sua expressão material particular: o antigo casarão da família, no Bairro Santana, em Porto Alegre.

O imóvel é a própria síntese dos valores e legados de ambos, e, desde que foi tombado pelo Patrimônio Histórico de Porto Alegre e tornou-se sede da empresa VIDA – Desenvolvimento Ecológico, em 2012, revelou mais um ensinamento sobre a ligação indissociável entre a arte do homem e a ciência da natureza: os princípios da preservação arquitetônico-cultural são os mesmos da conservação ecológico-ambiental.

Joseph Franz Lutzenberger emigrou da Alemanha para o Brasil em 1920, aos 38 anos. Engenheiro, arquiteto e artista plástico, foi responsável por obras importantes na Capital gaúcha, como os prédios da Igreja São José, do Palácio do Comércio e do Instituto Pão dos Pobres. Em 1932, projetou e construiu a própria casa, onde viveria com a mulher, duas filhas e um filho – o agrônomo e ambientalista José Antônio Lutzenberger, que se tornaria, à frente da empresa VIDA e da Fundação Gaia, precursor e um dos maiores expoentes do ambientalismo no país.

Ambos tiveram o casarão como morada e local de trabalho até o fim da vida – o pai até 1951 e o filho até 2002. Depois de dez anos desocupado, o lugar foi reformado para se tornar sede da empresa de desenvolvimento ecológico criada em 1979, hoje dirigida pelo agrônomo Fernando Noal Bergamin, amigo pessoal de Lutzenberger filho.

 

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  1. Casa Lutzenberg | Revista Live - […] Quer saber mais sobre a empresa VIDA, grande legado de Lutzenberg? Leia reportagem especial. […]

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